Inspecção técnica veicular: Impopular, mas necessária Desde a promulgação do Código de Trânsito Brasileiro, o governo federal deveria regulamentar a inspeção técnica veicular a ser realizada em todo o território nacional. Falta regulamentar também a inspeção de emissão de poluentes, com exceção da cidade de São Paulo e Rio de Janeiro que já poderia estar realizando tal inspeção. Esta medida é fundamental para preservamos o meio ambiente, a segurança no trânsito e salvar vidas. Se já não bastássemos possuirmos uma das frotas mais velhas comparando com outros países, ainda não desenvolvemos a cultura da manutenção preventiva de veículos. A frota brasileira estimada em quarenta e cinco milhões de veículos projeta-se cerca de setenta e dois por cento com mais de quatro anos. Somente na cidade de São Paulo estima-se uma frota de 5,6 milhões de veículos. Isto se considerarmos apenas os automóveis chamados de passeio, pois se observarmos a frota de caminhões, perceberemos uma idade média acima dos dez anos. A frota de motos que chega a mais de 600 mil, e chegam ainda mais 235 motos por dia nas ruas da cidade. Estas são parte das causas de altos índices de congestionamentos, aumento da poluição e acidentes de trânsito. Estima-se que um carro quebrado numa via como a marginal por dez minutos, pode causar em torno de três quilômetros de congestionamento. A CET (Companhia de Engenharia de Trafego) retira por dia a média de oitocentos carros quebrados, dos quais sessenta por cento são de problemas mecânicos, treze por cento de panes elétricas, dez por cento de pneus furados e quinze por cento de outros defeitos. A inadimplência também é crescente na cidade, chegando hoje aos 30% dos veículos e prejuízos acima de seis bilhões de reais por ano. O crescimento do roubo de veículos assume patamares assustadores, com aproximadamente cento e oitenta mil carros por ano, e o crescente aumento do comercio ilegal de autopeças sem nenhum instrumento eficaz de fiscalização do poder público. Os acidentes de trânsito no Brasil possui contornos de uma verdadeira guerra pela sobrevivência. Os números são mais alarmantes do que os anúncios de mortos e feridos na guerra do Iraque e em outras guerras. No Brasil trezentos e cinqüenta mil pessoas são feridas por ano e o quadro de mortes chega a 30 mil pessoas. Somente na cidade de São Paulo são mil e quatrocentas mortes por ano. Para aqueles que relutam em aceitar a relação direta entre a manutenção da frota e o número de acidentes, as estatísticas indicam que cinqüenta e sete por cento dos veículos em circulação tem menos de cinco anos e se envolvem em trinta e seis por cento dos acidentes, os que tem mais de dez anos se envolvem em mais de trinta e sete por cento dos acidentes, sendo que na sua maioria são fatais e graves. O IPEA aponta que os impactos sociais e econômicos de acidentes de trânsitos no Brasil estão estimados em 5,4 bilhões de reais por ano. Segundo este estudo, 27% têm como causa preponderante o mau estado de conservação e. Manutenção do veículo. Os envolvimentos da frota pública em acidentes indicam que muitas vezes o poder público é o primeiro a dar mal exemplo, pois esta frota juntamente com a de caminhões são responsáveis por alarmantes indicadores de acidentes fatais. Pesquisa realizada pela CET aponta que nos 390 (trezentos e noventa) acidentes fatais ocorridos em 2001, na Grande São Paulo, 60% dos caminhões. Tinham mais de 15 anos, 24% dos ônibus tinham mais de sete anos, 27% das motos tinham mais de sete anos e 36% dos automóveis tinham mais de 9,5 anos. Segundo a Secretaria do Verde e Meio Ambiente, com o controle através das Inspeções veiculares os níveis de poluição poderão cair de 30 a 40%, reduzindo a poluição e beneficiando quem sofre de doenças respiratórias. Portanto a implantação da Inspeção Técnica Veicular além de combater diretamente o uso de carros roubados e/ou adulterados, a frota irregular, contribuiria para promover a melhoria da qualidade da frota nacional de veículos, seria um incentivo para que a população adotasse a cultura da manutenção preventiva, sem contar na redução do custo social com acidentes, redução de despesas com danos ambientais, promoção à saúde e, sobretudo contribuiria para uma melhor segurança no transito e na qualidade de vida da população.
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