Rodoanel
A ocupação territorial do Estado de São Paulo vem, a longo tempo, sendo alterada pelo fenômeno da junção de várias manchas urbanas na região metropolitana, o fenômeno intitulado de conurbação. Atualmente, esse gigantesco movimento que dá origem à conhecida Macrometrópole, atinge um raio superior a 100 quilômetros, abrangendo as regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Baixada Santista além de municípios das regiões de Sorocaba e Vale do Paraíba. Esse processo é decorrente da migração de atividades econômicas para o interior, o que demandou significativos gastos em infra-estrutura, sobretudo rodoviária para possibilitar o escoamento da produção agrícola e industrial destinada ao suprimento dos mercados interno e externo. Segundo o PDDT: Plano Diretor de Desenvolvimento de Transportes, elaborado pela Secretaria dos Transportes do Estado em 2000, 50% da demanda atual de transportes se concentra na macro metrópole e 25% no interior do estado. Inversamente as demandas para outros estados e de passagem representam apenas 19% e 6% respectivamente. As tentativas de dotar a RMSP de uma rede viária que atenda às necessidades de ligação dos centros econômicos inter-regionais ao sistema viário metropolitano sempre foram sobrepujadas pela demanda imobiliária de ocupação, na forma de um contínuo movimento do centro para a periferia o que resultou em um sistema viário caótico, ineficiente e congestionado devido à saturação das vias estruturais; tornando a morosidade do trânsito em um dos graves problemas que interferem no cotidiano do cidadão da metrópole. Esta situação se agrava com a confluência das dez principais rodovias do Estado na cidade de São Paulo: Anchieta, Imigrantes, Régis Bittencourt, Raposo Tavares, Castelo Branco, Anhanguera, Bandeirantes, Fernão Dias, Dutra e Ayrton Senna. Na metade do século XX com a expansão da atividade industrial do Estado de São Paulo instalam-se, na região das Rodovias Dutra, Anchieta e Anhanguera, um grande número de industrias principalmente do ramo automobilístico, que atraem grandes contingentes demográficos reforçando o papel da cidade de São Paulo como um grande centro de geração de cargas. Esse fato, aliado às características radias do sistemas viário urbano e rodoviário, acaba por produzir uma circulação extremamente ineficiente e congestionada na região da Grande São Paulo. Várias propostas foram feitas, algumas implantadas outras não, mas todas, independentemente dos traçados, tem a intenção comum de romper com a predominância radial do sistema viário de São Paulo, criando perimetrais que possam aliviar o tráfego nas regiões mais centrais. Apesar dessas inúmeras propostas, atualmente, a Grande São Paulo possui somente dois anéis viários, o Mini Anel e o Anel Metropolitano sendo que ambos se utilizam das marginais do Tietê e do Pinheiros A característica predominantemente radial do sistema viário aliada ao crescimento desordenado da mancha urbana, ao descompasso entre demanda e a reduzida participação do modo ferroviário no transporte de cargas e de passageiros, acaba por sobrecarregar as vias marginais, as principais vias daquelas poucas que cumprem o papel de ligação perimetral na cidade de São Paulo. As conseqüências dessa situação têm se tornado cada vez mais graves, visto que os veículos automotores são responsáveis por 90% dos índices de poluição do ar, quanto no incremento dos acidentes de tráfego, visto que somente nas marginais ocorrem cerca de 10 mil acidentes por ano. O investimento no Rodoanel poderá minimizar alguns desses problemas visto que virá estruturar a malha rodoviária que chega ao município de São Paulo, articulando as rodovias que chegam à São Paulo possibilitando o desvio do tráfego de passagem que hoje é obrigado a circular por vias urbanas e que acaba, em sua maioria, disputando espaço no já, sobremaneira, carregado sistema das marginais componentes do mini anel viário de São Paulo. Se concebido e implantado de forma vinculada às políticas de desenvolvimento urbano dos municípios envolvidos o empreendimento poderia se constituir em mais um instrumento das políticas regionais de Transportes contribuindo para a melhoria da logística do abastecimento da metrópole; de Desenvolvimento Urbano considerando uma política de acessos associada aos devidos instrumentos legais que possa induzir e/ou bloquear a expansão da área urbanizada. No que se refere à política de meio ambiente, a característica básica de consenso entre os órgãos que o estudaram era a de que, em áreas de proteção aos mananciais à Norte e à Sul, o Rodoanel deveria contornar áreas já urbanizadas, se constituindo em barreira à sua expansão enquanto deve ter traçado e método construtivo adequado à preservação do meio ambiente, principalmente à qualidade da água destes mananciais e, em áreas adequadas a leste e oeste, deveria promover a integração regional. O Rodoanel será uma rodovia com acesso restrito e de alta velocidade que contornará a Região Metropolitana num distanciamento de 20 a 40 km do centro do município de São Paulo. A sua extensão total será de 170 km, dividido em quatro trechos: o Oeste, já implantado; o Sul em fase de licenciamento e projeto; e os trechos Leste e Norte.
Artigo publicado no Diário de São Paulo em 10/02/2005
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