Skip to content
É incoerência pedagiar o Rodoanel PDF Imprimir
Artigos
Ter, 10 de Março de 2009 01:56

A imprensa vem discutindo o pedagiamento do Rodoanel Mário Covas pelo atual Governo do Estado. Embora tenha sido negada sistematicamente pelo ex-governador Geraldo Alckmim, o projeto atual elaborado sob sua gestão prevê essa possibilidade com a inclusão de praças de pedágio no traçado da via. A alegação de hoje é a obtenção de recursos financeiros para a conclusão da obra.

Tratar o Rodoanel como uma via integrante de um complexo rodoviário é uma simplificação preocupante em relação ao seu papel como elemento urbano e metropolitano de imensa importância quanto aos impactos sociais, ambientais e econômicos, que já se verificam e serão intensificados com sua conclusão.

Por um lado, o empreendimento tem o potencial de redistribuir fluxos veiculares na região intraurbana e favorecer os fluxos rodoviários de passagem pela RMSP. Por outro lado, contudo, é inegável que será um indutor de expansão urbana em seu entorno e regiões próximas aos seus acessos. O próprio secretário adjunto de Transportes do atual governo afirmou, em debate no IAB, que “o principal efeito do Rodoanel, se for bem-sucedida a sua implantação, é valorizar a terra ao longo de seu traçado, evidentemente com maior ênfase onde o acesso for possível. Essa valorização da terra tende a proteger o espaço e reservá-lo para aplicações mais nobres, com maior uso de capital”.

Este efeito já pode ser verificado com a implantação do trecho oeste. No município de Osasco, por exemplo, instalaram-se 172 empresas de médio e grande porte entre 1995 e 2003 e em Carapicuíba 1.503 novos estabelecimentos foram instalados entre 1994 e 2004, sendo 54 do setor industrial, conforme dados da imprensa local. Mais de 40% destes novos empreendimentos foram instalados em 2001, ano em que o trecho oeste foi inaugurado. A região ao longo da rodovia Anhanguera recebeu, a partir do ano 2000, grandes empreendimentos nas proximidades da intersecção com o Rodoanel. Municípios como Osasco, Embu, São Bernardo do Campo e Mauá alteraram ou estudam alterações em sua legislação urbanística no sentido de “aproveitar o potencial de desenvolvimento” que o Rodoanel representa.

A própria Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) apresentada pela DERSA ao CONSEMA prevê a possibilidade da criação de “bolhas de emprego” ao longo da via,onde a instalação de grandes empresas poderia atrair ocupação residencial e demais empresas em seu entorno.

No que tange aos efeitos no trânsito urbano, particularmente nas vias estruturais do município de São Paulo, o Rodoanel deve ter características operacionais muito atraentes para surtir o efeito de melhora que vem sendo apregoado. Dados da própria AAE dão conta que 95,9% das viagens verificadas na RMSP são internas à própria região, 3,9% têm origem ou destino fora da RMSP e apenas 0,2% são efetivamente de passagem. Isto significa que a grande maioria das viagens é de curta ou média distância, situação em que os custos dos deslocamentos têm um peso muito grande.

Diante dessas considerações, podemos deduzir que, com a implantação de pedágio no Rodoanel, boa parte do fluxo de veículos deve voltar a utilizar as marginais dos rios Pinheiros e  Tietê, além de onerar o setor de transporte rodoviário de cargas, que já tem seus custos operacionais excessivamente elevados.

Se abandonarmos a visão simplista de que o Rodoanel é apenas uma rodovia e o situarmos devidamente como elemento transformador do tecido urbano e da economia regional, poderemos vislumbrar alternativas mais socialmente justas e eficientes para seu custeio. Devemos, em primeiro lugar, nos perguntar quem está sendo diretamente beneficiado pela obra. Cabe a estes, na realidade, a compensação financeira pelo benefício gozado em função da realização de uma obra pública.

Considerando este ponto de vista mais abrangente, empresas, especuladores e as próprias concessionárias das rodovias, que têm ou terão benefícios econômicos diretos gerados pela construção do Rodoanel, não podem ser consideradas como contribuintes diretos nos custos da construção e manutenção da via. Uma política tributária responsável, neste caso, mostra-se mais justa e, como benefício secundário, mais eficiente no controle da ocupação e uso indevido ao longo do Rodoanel.

 

Comentários
Adicionar novo RSS
Escrever um comentário
Nome:
E-mail:
 
Título:

3.26 Copyright (C) 2008 Compojoom.com / Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."

 
Últimas no Site

Pesquise no site

Vídeo em destaque

Documentário sobre programa de mutirão durante a administração de Chico Macena na SubPrefeitura de Vila Prudente / Sapopemba


CANAIS DO MANDATO

Buzz

 E-Gab