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Indústria da multa ou cultura da infração? PDF Imprimir
Artigos
Qua, 20 de Abril de 2011 13:39
Frequentemente ouvimos  de amigos e parentes que existe uma indústria da multa na cidade de São Paulo. Pessoas reclamam de radares, dos marronzinhos, do policiamento de trânsito,  dizendo que a cidade só sabe multar e multar..

Realmente os números impressionam,  em 2010 a CET (Companhia de Engenharia de Trafego) emitiu mais de 6,9 milhões multas de trânsito. A cidade conta com 2.450 agentes da CET e 547 radares. De acordo com  o balancete anual do FMDT (Fundo Municipal de Desenvolvimento do Trânsito), o total de arrecadação em 2010 foi superior de R$ 580 milhões.

Estes números poderiam ser utilizados como argumento por qualquer cidadão para comprovar a existência da indústria da multa na cidade, mas os números podem enganar. Imagine uma cidade com 17 mil quilômetros de vias, 7 milhões de veículos licenciados, sem considerar os que circulam na cidade com origem em outros municípios e estados. Se fizermos as contas por cima, chegaremos à conclusão  que foi emitido menos de uma multa por veículo em todo o ano, mas a nossa  experiência diária de motorista sabe, é praticamente impossível que cada veículo cometa apenas uma infração no trânsito por ano, pois vemos infrações a todo momento, em qualquer lugar.

Diante de tantas barbeiragens que vemos no trânsito, quem não se pergunta pelo menos uma vez ao dia, “Cadê a CET que não vê isso?”. Ao contrário das bravatas e tentativas de recursos de alguns que são autuados, o que vemos é o hábito de se sentir melhor que outro, ganhar vantagem,  chegar primeiro a qualquer custo. Sentimos no volante que a educação dos nossos iguais no trânsito é assustadoramente desumana,  e concordamos  que muito mais infrações são cometidas do que flagradas.

Chico Macena

Comentários
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Marcelo Mig   |2011-04-20 13:09:34
Pela lógica de Goebbles, "uma mentira contada muitas vezes vira
verdade". No caso, esse mantra de "indústria da multa", repetido
à exaustão, parece impedir a capacidade de raciocínio de quem o entoa.

A
conclusão do texto parece óbvia, mas ele é muito oportuno e é necessário se
aprofundar nela.

Quando ouvimos um relações públicas do CET falando que não
pode sair multando todos que cometem infrações a torto e a direito porque
"não está na cultura" do motorista respeitar pedestres e ciclistas,
vemos que não só motoristas precisam rever seus conceitos com urgência.
Andre Leme   |2011-04-20 13:13:13
Pergunte a um motoristas quantas infrações ele cometeu em um único dia.
Provavelmente ele dirá: Nenhuma. Se vc refizer todo o caminho que ele percorreu
neste dia, quantas não sinalizações de conversão ele fez, ou para facilitar,
ele usou o pisca em todas as conversões e troca de faixas, quantas faixas ele
trespassou em momento errado, sinais amarelos, ele nem deve saber o que é isso.

Mesmo após todas estas evidências, ele ira dizer que foram bobagens, nada que
pudesse prejudicar alguém.
Enquanto o motorista não enxergar a sua conduta,
ele irá passar a culpa para outro, é o famoso, eu fiz errado, mas ele também.
Ainda não entendi esta troca de alvo, que esta sendo questionado simplesmente
troca o sujeito da pergunta, e não responde, se questionado novamente fica
agressivo e chega ao absurdo de dizer que já respondeu. É a total falta de
raciocínio. Temos como exemplo o cara de pau do assassino de POA, que qu...
Heitor Marzagão Tommasini   |2011-04-20 13:36:11
Concordo com o texto. De fato há muitas infrações que não são flagradas. Na
minha opinião, que acredito está inserida na sua manifestação abaixo, o
cerne da questão está na educação, na cidadania.

Também acredito que sem
sanção punitiva aos infratores não haveria nenhum resultado, e portanto, no
bolso do infrator e na perda de sua habilitação é que se impõem
comportamentos.

Contudo, há um ponto em que as medidas administrativas
punitivas aos infratores deixam de ser efetivas e seus resultados passam ao
largo dos interesses da sociedade e ganham aparência
arrecadatória.

Principalmente quando os recursos das multas não são
aplicados em edicação no trânsito, sistemas de controle de velocidade (sem
radares), como os usados em outros países, conhecidos como traffic calming, e
outros, como semaforização "conta-gotas".

Isso sem falar em campanhas
em televisão, que nunca vi a Prefeitura...
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