
| A estranha solução de Kassab para a Cracolândia |
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| Artigos | ||||||
| Ter, 16 de Agosto de 2011 18:45 | ||||||
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Com um índice pífio de promessas cumpridas - é só acessar qualquer balanço para comprovar - o prefeito paulistano Gilberto Kassab (ex-DEM-PSDB, agora PSD) joga, às pressas, nas mãos da iniciativa privada aquilo que não conseguiu fazer em sete anos (reeleito em 2008, este é seu 2º mandato) na capital paulista.
A última dele é no projeto de reforma da Nova Luz, maior e mais conhecida Cracolândia do Brasil. É a carta branca que ele pretende conceder às empresas que levarão a cabo o processo de revitalização da região, no Centro paulistano. Se o projeto for aprovado pela Câmara Municipal, as obras só deverão terminar em 2027! Isso mesmo, daqui a 16 anos… Além disso, a empresa que vencer a licitação (programada para o 1º semestre de 2012) terá o direito absoluto de desapropriar os imóveis da região e ainda contará com R$ 355 milhões dos cofres públicos. Muito lucro para a empresa privada vencedora Detalhe: o lucro estimado nos próximos 15 anos com a revitalização do Centro é da ordem de R$ 5,1 bi. Segundo o vereador Chico Macena (PT), desde o início deste projeto, foram excluídos, por completo, os direitos e reivindicações dos moradores e comerciantes da região. “O projeto não incorpora os comerciantes que estão lá e construíram a imagem da Santa Efigênia”, acusa Macena. A região é hoje, também, um dos mais tradicionais e maior polo comercial de eletro-eletrônico do país. “Há mais de 30 anos atrai compradores de todas as regiões brasileiras e estrangeiros”, frisa o vereador. Macena aponta, ainda, que a Santa Infigênia conta com muitos cortiços e uma população estimada em 5 mil famílias - na sua maioria de baixa renda que paga aluguel. “É preciso que as residências para essas pessoas sejam construídas primeiro e que isso seja prioridade ao invés de oferecerem ‘bolsa aluguel’ às famílias”, avalia. Tragédia anunciada Outro problema grave apontado pelo vereador é que o valor informado de R$ 355 milhões prevê apenas as desapropriações de imóveis. “A conta da prefeitura não vai fechar”, explica Macena. “É fundamental que ocorra a desapropriação do fundo de comércio – não previsto nas contas do prefeito - para evitar um alto valor de pendência judicial no futuro.” Macena também denuncia o descaso da atual administração diante do problema mais grave na região. “A erradicação da Cracolândia não se resolve com edificação. É uma questão de saúde pública que exige acompanhamento e tratamento dos usuários de drogas, ao lado de iniciativas de geração de renda, combate à criminalidade e inclusão desta população nas oportunidades e perspectivas da cidade”, adverte. Cracolândia multiplicou-se por outras regiões “Como está sendo feito, o prefeito apenas irá deslocar a Cracolândia para outras regiões da cidade”. avisa Macena. Já deslocou, aliás, para várias outras regiões, entre as quais, o Minhocão, os bairros em seu entorno e duas cracolândias na vila Leopoldina são as mais conhecidas. Sem poder público, o Centro de São Paulo, ao lado de outras regiões da cidade, passará à sanha da especulação imobiliária. Substitui-se o tradicional comércio na Santa Efigênia pelos shoopings centers. Exclui-se os moradores e comerciantes deste processo. E a população que requer urgentemente atendimento e atenção para se livrar do ciclo de dependência química, miséria e violência permanece completamente desassistida. Zé Dirceu http://www.zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=view&&id=12904&Itemid=2
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