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Precursor do Hip Hop no Brasil é homenageado pelo vereador Chico Macena PDF Imprimir

Sessão solene promovida pelo mandato de Chico Macena homenageou Nelson Triunfo com a concessão do titulo de cidadão paulistano. O evento que ocorreu dia 6 de junho, ás 19 horas, no plenário da Câmara Municipal de São Paulo, teve presença de importantes símbolos do hip hop, da cultura e da política nacional.

O Senador Eduardo Suplicy, o Ator Sergio Mambert, os Deputados Estaduais Vicente Cândido e Mário Reali, o prefeito de Triunfo, cidade natal de Nelson, José Hermano Alves de Lima (Doutor Maninho) foram os membros políticos que fizeram parte da mesa junto ao homenageado e ao vereador Chico Macena.

Outras personalidades que estiveram na mesa e se pronunciaram na homenagem foram os cantores de hip hop: Rappin Hood e Thaíde, a cantora de Soul e Blues Tula, o músico e produtor Theo Werneck, e o jornalista e antropólogo Spensy Pimentel.

O senador Eduardo Suplicy iniciou a homenagem a Nelson citando a importância do Rap para recuperação dos detentos. Mesmo com a voz um pouco roca, devido sua gripe, o senador cantou um trecho da música “O Homem na Estrada” - dos Racionais Mc’s. Disse a Nelson “vou te dar um livro sobre cidadania, quem sabe você pode transformá-lo em Rap”.

     Entre os comentários de Eduardo Suplicy sobre a cidadania e o hip hop, Nelson citou a fala de seu filho Jean sobre o tema “Se alguém der uma arma na mão de uma criança, ela aprende atirar, meu pai me deu um microfone então eu canto”.

Após a fala de Eduardo Suplicy o grupo de rap de Diadema, Matéria Rima, cantou o hino nacional em ritmo de rap, enquanto eles cantavam agitando a platéia, os dançarinos de break faziam suas coreografias no tapete posto em frente à mesa. Em seguida a homenagem contou com um documentário que mostrou a história do hip hop em São Paulo e a presença marcante de Nelson Triunfo dançando Break na estação de metrô São Bento.

Ao final do documentário que foi recebido por aplausos, o deputado estadual, Vicente Cândido, falou aos demais presentes. “O PT escolhe a dedo os homenageados, não é a pessoa em si que é homenageada, mas sim sua história. Quando eu encontro o Nelson, é como se eu estivesse visto uma biblioteca, é cultura, inteligência”.

O deputado estadual, Mário Reali, falou da importância do hip hop em Diadema, na diminuição da criminalidade e da influência do Nelson e da Casa do Hip Hop de Diadema, nestes resultados positivos.


A história de Nelson no hip hop triunfa



A referência histórica de Nelson Triunfo no movimento hip hop foi comprovada pela presença de grandes personalidades que estiveram presentes no evento não somente na mesa como também na platéia.

O ator Sergio Mamberti este presente no evento representando o ministério da cultura e falou da importância do movimento rap para que Lula chegasse a ser presidente da republica. Elogiou Nelson ao dizer que “Nelson é símbolo de alegria, esse sorriso, esse cabelo solto” e ressaltou a importância cultural do hip hop no Brasil: “Eu sempre acabo conhecendo uma nova maneira de se expressar por meio do hip hop que é cultura de raiz, cultura urbana, expressão da juventude, que tem cumprido um papel extraordinário”.

Os músicos Theo Werneck, Thaíde, Rappin Hood e Tula falaram sobre a presença marcante do Nelson Triunfo nos eventos de hip hop da cidade e sua influência no movimento. Thaíde reforçou traços individuais de Nelson, “além de ser um cara super acessível ele também é super engraçado”.

O jornalista Spensy Pimentel ressaltou a importância cultural do homenageado. “Nelson, figura um elo de transmissão de todas as tradições” ainda completou dizendo “Fazer do hip hop o que ele se tornou depende de figuras como a dele”.

O prefeito da cidade natal de Nelson, José Hermano, leu um texto que citou Triunfo como mãe de Nelson, que é filho também da maior cidade do país São Paulo. O vereador Chico Macena encerrou a fala dos presentes pediu desculpas em nome de alguns membros da sociedade que discriminaram o movimento hip hop.

Citou a importância de reconhecer pessoas como Nelson Triunfo como patrimônio imaterial da cidade, esse reconhecimento faz parte de um projeto de lei do vereador. “A cidade não é feita só de prédios, os movimentos também devem ser reconhecidos como patrimônio” disse Chico Macena.

O vereador antes de entregar o título de cidadão paulistano encerrou a homenagem dizendo: “Nelson pode ter nascido em Triunfo, mas ele é de São Paulo, é do Brasil”.

 

 

Biografia Nelson Triunfo

 

Nelson Gonçalves Campos Filho nasceu em 28 de outubro de 1954, em Triunfo, região serrana encrustrada no sertão de Pernambuco. Viveu uma infância entre o campo, onde trabalhava como agricultor e a cidade, origem de um ecletismo musical que unia o maracatu mais tradicional a outros ritmos negros regionais, mas também ao soul e ao rock.
Aos 15 anos mudou-se para Paulo Afonso em busca de estudo e trabalho, sendo auxiliar de topógrafo na Usina de Paulo Afonso. Mas lá iniciou também suas andanças pelas festas, que viriam a ser as festas black. Foi pioneiro nessa cultura, tornando-se o primeiro nordestino a dançar James Brown e formando o lendário grupo de dança “Os Invertebrados”.  

Em 74 foi a Brasília, concluiu o ensino médio e tornou-se topógrafo, ao mesmo tempo em que se especializava em suas festas e andanças. Viveu na Ceilândia, em Sobradinho e em outras cidades, mas conheceu e passou a ser conhecido nas festas black, fazendo shows com a “Super Som 2000”, incendiando as festas de Brasília, na beira do Paranoá e correndo todas as cidades satélites com sua dança. Promove também caravanas aos bailes do Rio de Janeiro, que na época era o centro da música e da cultura black nacional. Lá fica conhecido como “O Homem Árvore”, apelido que ganhou de Tonny Tornado.

Em 76, já formado, segue rumo a São Paulo, em busca do sonho de viver da black music. Forma o grupo “Funk & Cia” e começa então a participar de todos os bailes, promovendo um intercambio inédito, numa época em que os jovens evitavam ir aos bailes fora de sua região, por conta da rivalidade. Aprofunda o intercâmbio com o Rio e torna-se um dos grandes responsáveis pelo crescimento dos bailes blacks de São Paulo.

Na virada entre os anos 70 e 80 torna-se também o pioneiro da chamada “cultura de rua” no Brasil, ao leva sua dança para as ruas do Centro Velho (inicialmente em frente ao Teatro Municipal). É obrigado a mudar-se de ponto várias vezes, mas resiste à repressão policial e vai formando aos poucos uma legião de dançarinos de rua, até que acaba sendo aceito, por impulsionar o comércio de discos e artigos ligados à cultura black, que se concentrava na Rua 24 de Maio e nas Grandes Galerias.

Em meados dos anos 80, aliando sua música e dança à sua experiência de sua militância no movimento negro, começa a realizar trabalhos de formação com os jovens da periferia. Na gestão Erundina participa de diversos programas educacionais, culturais e sociais, de onde se destacam as oficinas de educação e cultura do projeto “RapEnsando a Educação”, que corre as escolas de toda a periferia.

Em 84 surpreende o público da avenida e da Tv sambando de fasto, com seus passos que misturavam o samba ao soul, ao funk e ao break. Ganha então o estandarte de ouro, como melhor pacista do samba paulistano, desfilando pela escola de samba Vai Vai. É convidado para fazer a abertura da novela Partido Alto, difundindo seus passos todos os dias, em horário nobre.

Nos anos 90 é chamado para trabalhar na Prefeitura Municipal de Diadema, trabalho que daria origem à Casa do Hip Hop, hoje referência nacional em trabalhos sócio-culturais.
Ao longo de sua carreira já se apresentou ao lado de vários artistas de renome, como Tony Tornado, Gerson King Kombo, Paula Lima, Sandra de Sá, Tim Maia, Gilberto Gil, Jimy Clif e tantos outros, sendo inclusive convidado a receber James Brown em sua primeira visita ao Brasil.

Foi convidado a participar da abertura da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, na chamada “Copa das Culturas”. Retornou à Alemanha, a convite do governo alemão, num projeto de teatro em homenagem a Bertold Brecht, participando da peça “Na Selva das Cidades”.

Já foi homenageado com outdoors gigantescos, por ocasião dos 450 anos da cidade de São Paulo. Agora é a hora de reconhece-lo como Cidadão Paulistano, pela importância de seu trabalho para a cultura, para a identidade, para a história dessa cidade, tornando especialmente mais feliz e orgulhoso o povo negro e a juventude da periferia.
 
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