O sambista Osvaldinho da Cuíca recebeu do vereador Chico Macena, a medalha Anchieta e o diploma de gratidão. O evento aconteceu no salão nobre da Câmara Municipa de São Paulo, no dia 24 de outubro de 2007. Contou com a participação da escola de samba Vai-Vai, entre outras entidades e personalidades que vieram prestigiar este celebre paulistano.
Conheça um pouco da história deste talentoso sambista com a cidade de São Paulo representada por sua música Monólogo
“Sou sambista! Não por modismo ou opção É que nasci em pleno carnaval sob o lamento da cuíca Da batucada de Campos Elíseos Minha formação musical Não se fez em academia ou faculdade Aprendi na escola da vida Principalmente nos batuques dos cordões Ainda não existiam escolas de samba com estrutura pra gente ensaiar e cobrar ingressos O samba era praticado somente pelos mais humildes Tudo era feito na base do sacrifício e artesanato O surdo e a cuíca eram feitos de barrica ou tambor de carboreto Não havia carros alegóricos, samba enredo, mestre sala. Isso tudo existia no Rio de Janeiro. Aqui a gente cantava músicas do rádio ou alguns refrãos da comunidade E a batucada não tinha hora pra acabar E às vezes parava com a chegada da cavalaria que baixava o sarrafo, furava os couros E a gente dormia na delegacia Não era instituído um desfile organizado Não existia passarela, arquibancada E tudo isso que está aí O samba começava nos bairros A gente ia pra Rua Direita, Praça da Sé, Avenida São João, Avenida Paulista e por ai a fora Eta! São Paulo da garoa Não era escola de samba Era um cortejo nos moldes imperiais Com rei, rainha, princesa e rumbeira Era marcante a presença dos balizas como atração Salve! Genésio do Bixiga, Dito Preto, Bajico, Cara Torta da Barra Funda. E o apitador? Que hoje é chamado de “diretor de bateria” Que saudade!!! O valente Pato N´agua, Rubinho da Galvão Bueno, Bolinha “Apito de Ouro” E os sambistas que jogavam a “Tiririca” e comandava a rapaziada O grande Dionísio Barbosa, que em doze de março de 1914, fundou o primeiro grupo “Barra Funda” Depois “Camisa Verde” e finalmente “Camisa Verde e Branco” Geraldo Filme, Seu Zezinho do Morro, Elpídio Rosa de Faria, Seu Nenê da Vila Matilde, Chico Pinga, Xangô da Vila Maria, Pé Rachado, Germano Mathias e tantos bambas. Na época tinha que ser valente pra se garantir. E o apitador tinha que por ordem no batuque, na moral Mas eu nunca fui valente, sempre fui respeitado pela arte de fazer samba. E hoje fico muito feliz em ver toda a sociedade abraçando e cultivando nosso samba. E fico mais feliz ainda em saber que faço parte desta história. Eu sou Osvaldinho da Cuíca, o primeiro Cidadão Samba Paulistano”