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Câmara aprova projeto que cria rota de cicloturismo "Márcia Prado" no Grajaú PDF Imprimir E-mail
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Qua, 18 de Novembro de 2009 00:00

 

APA Bororé Colônia

Câmara aprova em segunda discussão o Projeto de Lei que cria a rota de ciclo-turismo "Marcia Prado" na APA Bororé - Colônia, região do Grajaú, Zona Sul de São Paulo, seguindo agora para a aprovação do prefeito Kassab

O projeto prevê a criação desta rota formada em um percurso dividido em dois trechos, são eles:

a) O primeiro trecho tem início na Estação Grajaú na CPTM, seguindo pela Avenida Dona Belmira Marin, atravessando a primeira balsa, seguindo pela Estrada Velha do Bororé, Estrada de Itaquaquecetuba, atravessando a segunda balsa, e seguindo pela Estrada de Itaquaquecetuba até atingir o limite com o Município de São Bernardo do Campo.

b) O segundo trecho tem início na estação Grajaú da CPTM, seguindo pela Avenida Dona Belmira Marin em direção a Avenida Senador Teotônio Vilela, seguindo pela Avenida Senador Teotônio Vilela  passando pelo futuro Parque Linear Riberão Caulim, seguindo pela Avenida Sadamu Inoue, entrando na APA Bororé-Colônia, virando a esquerda na Rua Amaro Alves do Rosário, passando pelo futuro Parque Natural do Itaim, seguindo pela Estrada do Itaim, Rua Tadao Inoue, virando a esquerda na Avenida Kayo Okamoto,, seguindo e virando a direita na Avenida Paulo Guilguer Reimberg, passando pelo futuro Parque Natural do Bororé, seguindo e finalizando na Estrada de Itaquaquecetuba, fechando o circuito  com o primeiro trecho.

O PL estabelece que as melhorias viárias a serem implementadas pelo Executivo ao longo desse circuito privilegiarão sua vocação turística e paisagística, e contemplarão, sempre que possível, a instalação de ciclovia, ciclo-faixa, tráfego compartilhado e sinalização viária necessária, que permita o trânsito seguro de turistas com sua bicicleta

Ainda faz parte deste projeto que a rota de ciclo-turismo “Márcia Prado”, deve ser inserida no calendário oficial de eventos turísticos, esportivos e de lazer do município e contribuir para promover e divulgar o desenvolvimento turístico, cultural, ecológico, econômico, social e sustentável da região, e que toda alteração  futura somente deve ser feita após apreciação e aprovação pelo Conselho Gestor da A.P.A – Área de Proteção Ambiental Bororé – Colônia.

Apresentação da rota utilizando imagens de satélite

 
 
 
 Apresentação da Rota Márcia Prado
 

 “Cada braça de caminho, um soluço de saudade; toda vereda de roça, vaiterminar na cidade” (Ednardo)

Por Reginaldo Assis de Paiva
Presidente da Comissão de Bicicletas da ANTP

Só os caminhos do carro são imutáveis. Pedestres e ciclistas, a cada caminhada, a cada viagem, refazem e reinventam seus passos e suas rotas, renovam as paisagens e reinterpretam todos os sinais.

Se em Machado, que tanto citávamos no passado e o continuamos repetindo no presente (“caminante, no hay camino, se hace camino al andar”), buscamos a justificativa de termos feito da bicicleta o símbolo maior da liberdade e mobilidade urbana,  é que nos agrada  confundir a bicicleta com a cidade e reafirmá-la como o instrumento ideal de resgate do espaço urbano, entendido como o espaço da cidadania e da fraternidade. Falamos de ruas amigáveis (bicycle-friendly streets), afirmamos a bicicleta como o mais saudável veículo de transporte, instrumento de combate à poluição ambiental e de preservação das melhores condições de saúde.

Sob este enfoque, o PL   é mais do que uma homenagem, é muito mais do que uma homenagem. Pretende-se riscar no mapa da região sul a última rota por onde Márcia Prado circulou na busca de uma moderna rota “peabirus” entre o planalto paulistano e a baixada santista, consolidaria as rotas já diuturnamente percorridas por anônimos ciclistas em busca do “trampo” que lhes garanta o pão dos filhos.

É como dizemos: as “tribos urbanas” de ciclistas se confundem no anonimato das multidões que circulam pelas ruas da cidade; distintos os interesses e as expectativas, idêntica a busca por rotas ciclísticas seguras, confortáveis e “amigáveis”.

Reservamos em nossas lembranças, a imagem maior deste “estado de espírito”: Márcia, braços abertos e um sorriso só permitido a quem tenha da vida uma imagem de liberdade e fraternidade.

(Peabirus – do tupi pé=caminho e abiru=gramado amassado; caminhos indígenas que ligavam São Vicente a São Paulo, Sorocaba, Botucatu,Tibagi, Ivaí e Iguaçu. Trilha com 8 palmos de largura, ou 1,60m,dimensões mínimas recomendadas para uma ciclovia)


 

Desde que foi criada, a APA Bororé-Colônia, através da lei municipal de  nº 14.162 de 24 de maio de 2006, a região tem se mostrado, juntamente com sua vizinha, a APA Capivari-Monos, como um promissor pólo de eco-turismo. A região tem potencial para a criação de atividades e roteiros que atraiam visitantes e turistas, tanto interno, de dentro no nosso município, quantos externos, provenientes de outros estados, e até países, que vêm conhecer e participar de roteiros existentes na região como a pesca, caminhada, passeios por trilhas a cavalo e a pé, de barco, de bicicleta, de jipe, arvorismo, tirolesa, e outras atividades de contato com a natureza.

A criação desta rota de ciclo-turismo vem solucionar uma demanda que já existe na região. Praticantes de ciclismo e ciclo-turismo, há muito tempo já descobriram o rico potencial oferecido pela região a esta modalidade, suas paisagens, a receptividade e simpatia dos moradores, fazendo deste, o trecho inicial de suas ciclo-viagens com destino as trilhas e caminhos da Ilha do Bororé, a região de Riacho Grande em São Bernardo do Campo, e ainda, alguns iniciam suas viagens de ciclo-turismo nesta região com destino até o litoral.

A oficialização desta rota implicará a criação de infra-estrutura de sinalização e o mapeamento de roteiros secundários, os quais poderão ser integrados ao posto de atendimento ao turista, com inclusão no calendário oficial de roteiros turísticos do município. Tendo seu início a partir da estação de trem ou das vias principais, promove a acessibilidade e a segurança dos ciclistas, por meio de instalação de ciclovia, ciclo-faixa, ou tráfego compartilhado. Além disso, promoverá a educação ambiental ao permitir estabelecimento de convênios com associações de turismo receptivo na região e outras ações de integração, trazendo apenas benefícios a sociedade. Mais visitantes ao pólo de turismo receptivo ecológico já existente na região, atrairá novos recursos e desenvolvimento social, criando novos serviços, promovendo a preservação da fauna e flora local e a consciência ecológica.

Nascida em São Paulo, na data do dia 17 de Novembro de 1968, ciclista urbana experiente, Márcia Regina de Andrade Prado, que dá o nome de “Márcia Prado” a rota ciclo-turistica proposta, havia trocado seu carro por uma bicicleta como uma forma de ajudar o meio ambiente, ajudar na fluidez da cidade, melhorar sua qualidade de vida, e contribuir para melhorar a qualidade de vida de todos.  Deslocava-se por toda a cidade de bicicleta para o trabalho, lazer, compras, e dia a dia. O seu exemplo mostrou que dá pra viver melhor, e que a cidade tem opções de mobilidade. Ciclo-ativista, participante do movimento Bicicletada, defendeu mais espaços para a mobilidade por bicicleta na cidade e o uso da bicicleta, defendia um sistema ciclo-viário prático, seguro e funcional, pregava o respeito aos ciclistas, pedestres, e uma melhor educação e cordialidade entre motorizados e não motorizados. Participava de manifestações que defendiam os direitos de ciclistas e pedestres, e sempre incentivava quem pretendia conquistar e garantir seus direitos. Uma verdadeira ciclo-ativista, que reivindicava sempre e para todos, o dever do Estado e do Município de cuidar dos mais fracos no trânsito. Junto com seus amigos, lutava para que fosse criada esta rota de ciclo-turismo, que no futuro, proporcionasse um forma  segura para  ciclistas  se locomoverem  entre São Paulo e o Litoral.

Márcia Regina de Andrade Prado faleceu em 14 de janeiro de 2009, atropelada na Avenida Paulista por um ônibus. Sua morte foi de grande simbolismo, repercutida em toda a imprensa. Recebendo homenagens de ciclistas de  muitas cidades do Brasil, até do exterior, por conta do seu ativismo por uma cidade melhor.

Seu nome nesta rota ciclo-turistica é uma justa homenagem da cidade, por sua luta.

Comentários
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vilton giglio  - PL256-2009   |2010-09-07 16:22:58
Obrigar ter um guia de turismo credenciado pelo Min. do Turiamo,qdo. em
excursões. È lei,assim não teriamos degradação ambiental da
região,poderia acrescentar nesse projeto de lei,assim ficaria mais completo.
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