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A Frente Parlamentar em defesa do desenvolvimento da Zona Leste convocou a DERSA (Desenvolvimento Rodoviário S.A.) para esclarecer os andamentos das obras do sistema viário Jacu Pêssego. O prolongamento da Avenida ligando, de um lado, à rodovia Airton Sena, e do outro, à rodovia Anchieta, faz parte do projeto de desenvolvimento da Zona Leste e da Operação Urbana que leva o mesmo nome. Hoje já existem 11 km de via e o novo trecho vai abranger 6,7 km chegando ao município de Mauá para completar a ligação com a rodovia Anchieta. É um consenso a necessidade da obra, bem como os benefícios que poderam trazer para esta região da cidade onde moram cerca de três milhões de pessoas e não tem nenhuma alternativa de emprego. Com a conclusão da obra, poderemos atrair para a região empresas por meio das leis que criam benefícios e, com isto, gerar mais empregos. Mas a grande preocupação dos vereadores, hoje, que compõem a Frente e da população residente na região, é o grande número de desapropriações que ocorrerá para a realização dessa obra. A obra da Jacu Pêssego cortará os bairros do Jd. São Francisco, Jd Manoel do Vale, Jd. Da Conquista, Nova Conquista, Nova Vitória, entre outros. Em todos os bairros havera a necessidade de desapropriações. Segundo informações da DERSA o governo do Estado e a Prefeitura irão desapropriar 3.200 famílias. Com estas informações, as dúvidas que surgem são: como se dará o processo de remoção e de indenização destas famílias ? pois sabemos que muitas delas áreas ainda estão em processo de regularização da propriedade na prefeitura, o que impede que os seus moradores possuam o documento de escritura dos terrenos. Segundo a DERSA, empresa do governo do Estado, nestes casos haverá apenas a indenização das benfeitorias feitas. Outra informação que gera preocupação é que apesar do Governo do Estado e Prefeitura informarem que as indenizações e considerarão o valor de mercado, as avaliações anunciadas de cerca de R$ 126,00 o metro quadrado está bem abaixo da realidade praticada na região, o que impedirá a maioria das famílias de adquirir outro imóvel com o mesmo padrão. Para aqueles que não concordarem com o valor, a alternativa apresentada é a colocação das famílias num projeto habitacional do CDHU, em um apartamento de 42 metros quadrados que, segundo a, DERSA vale R$ 42 mil. Esse tipo de alternativa é viável somente para quem mora em "barracos", mas para a maioria que demorou anos para construir e investiu tudo o que tinha para ter a sua moradia isso será inaceitavel. Outra coisa que soa de forma estranha é que, para avaliar o valor de mercado para desapropriar, os órgãos públicos estão estimando em torno de R$ 126,00 o metro quadrado e, para calcular o valor do imóvel, objeto do projeto habitacional e em local mais distante, o cálculo é de mil reais o valor do metro quadrado. A Prefeitura e o Governo do Estado não podem simplesmente remover milhares de famílias sem apresentar uma alternativa viável para que eles continuem morando com um padrão de qualidade melhor e, no mínimo, para as construções de alvenaria nos bairros consolidados melhorem. O valor de mercado tem que valer para a desapropriação e para a prefeitura calcular o quanto está investindo em moradia. A ausência de uma escritura definitiva não deve ser pretexto para encurralarem a população e retirarem a conquista de anos de luta, o direito a uma moradia digna.
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