Criação de uma área de restrição para esse transporte na capital está gerando críticas não apenas dos donos das empresas e dos passageiros que usam o serviço.
Plenário dividido. O presidente da Câmara é a favor de restringir os fretados.
“Ele está certíssimo na proposta dele, o fretamento ele gera despesa para a capital”, diz Antonio Carlos Rodrigues, presidente da Câmara dos Vereadores.
A oposição discorda, argumenta que o projeto pode até piorar a situação do trânsito.
“Vai aumentar o número de carros na rua. O cidadão que utiliza o fretado hoje tem um poder aquisitivo maior do que os demais que usam o transporte regular. Esse cidadão não vai pegar um ônibus lotado em pé, às 7 horas da manhã, ele não vai pegar o metrô da Linha Leste onde ele não consegue entrar”, diz Chico Macena, vereador do PT.
Críticas também da base do governo. O presidente da comissão de transportes é contra a proibição no tráfego de fretados em toda a área proposta pela prefeitura.
“Eu acho que precisamos discutir um pouco melhor passar as alternativas por dentro dessa área. Eu vejo que a Avenida dos Bandeirantes poderia ser um segmento, a região da Baixada do Cambuci também a chegada pela Avenida do Pacaembu também, ou seja, tem várias áreas que não precisa ser proibido da forma como está”, diz Ricardo Teixeira, vereador do PSDB.
Pela proposta da prefeitura, a partir de 27 de julho a situação dos fretados será proibida, uma área de 72 quilômetros quadrados.
Os limites são vias importantes como a marginal Pinheiros, a Avenida Sumaré, a Avenida do Estado, a Ricardo Jafet e a Avenida dos Bandeirantes.
Na Câmara é grande a pressão dos usuários e donos de ônibus fretados. Todos os dias, os vereadores recebem dezenas de mensagens pelo computador contra a restrição na circulação dos ônibus.
O Legislativo e o Executivo se comprometeram a estabelecer até o dia 5 de agosto um projeto de lei sobre o assunto, mas a Secretaria dos Transportes resolveu se antecipar a discussão.
“A gente espera que a regulamentação se transforme numa lei aprovada na Câmara. Nós temos toda a sociedade representada na Câmara Municipal e se a lei for aprovada na Câmara nós vamos ter que cumprir”, diz Jorge Miguel dos Santos, diretor do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros e Turismo – Transfretur.
O secretário dos Transportes diz que a portaria que a prefeitura deve publicar nos próximos dias atende uma determinação da própria Câmara de agir com urgência. Ele defende a proposta e acredita que o transporte público vai atender bem aos passageiros dos ônibus fretados.
“Um transporte como o de São Paulo é o melhor transporte público do país sem qualquer comparação, não há nível de comparação e que nós estamos cada ano que passa melhorando muito”, diz Alexandre de Moraes, secretário municipal de Transportes.
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