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Expulsos da Cracolândia se espalham pelo Centro PDF Imprimir E-mail
Qui, 05 de Janeiro de 2012 10:29

Após operação da polícia, usuários de crack migraram para diversas ruas da região central de São Paulo

Um dia após a operação Centro Legal, que fez uma faxina na Cracolândia, na região da Rua Helvétia e Alameda Dino Bueno, os usuários passaram a se concentrar em grupos menores por várias ruas e praças das proximidades. Com eles, migraram também os problemas de segurança que deflagraram a operação inicialmente.

O DIÁRIO flagrou concentrações de usuários na Praça Princesa Isabel, além de pontos na Avenida Rio Branco, Rua General Júlio Marcondes Salgado e nas alamedas Glete e Nothmann, todas no Centro. Outros grupos vagavam a esmo pelo bairro, carregando cobertores e trouxas de roupa. Longe das vistas da polícia, alguns consumiam crack em cachimbos. Na maioria das aglomerações, com cerca de cem pessoas, na Praça Princesa Isabel, a equipe do DIÁRIO foi alvo de pedras atiradas pelos dependentes químicos, que protestavam contra a presença da reportagem.

Problema itinerante/ A fiscal de ônibus Maria das Graças Alves dos Santos, de 44 anos, trabalha no ponto final da linha 609 C, Jardim Caiçara-Praça Princesa Isabel, no Centro, e  testemunhou tentativas de assalto na noite de segunda-feira, quando os usuários de crack  foram expulsos da Cracolândia. “Quatro deles cercaram um rapaz e pegaram a carteira dele, mas a polícia veio e prendeu os assaltantes”, disse Maria.

A linha 609 C mudou há dois meses seu ponto final original, na Praça Júlio Prestes, devido ao bloqueio das ruas próximas pelos dependentes químicos. “Agora eles estão aqui. Os passageiros já estão assustados e reclamando”, falou a fiscal.

O vendedor de doces e salgadinhos José Conrado do Bonfim, de 59 anos, tem ponto na praça há 40 anos e na segunda-feira sofreu sua primeira tentativa de assalto. “Alguns dos drogados quiseram levar bolachas e tentaram me intimidar”, relatou Bonfim. “Mas outros do grupo gritaram para que me deixassem em paz, senão a polícia viria e os expulsariam dali também. Em 40 anos aqui, nunca haviam tentado me assaltar”, disse o vendedor.

O comerciante Vanilson Pereira de Carvalho, de 41 anos, é dono de um restaurante na Rua Guaianases, em frente à praça. Ele afirmou que o movimento de seu estabelecimento caiu 10% desde segunda-feira.

“Os clientes estão se queixando de tentativas de assalto e outros de constrangimentos”, contou Carvalho. “Eles tinham de enviá-los compulsoriamente para tratamento. Não estão lúcidos para decidir se são um risco à própria saúde.”

Polícia diz que previu migração de usuários
De acordo com o comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Álvaro Batista Camilo, manter a população expulsa da Cracolândia em movimento é parte da estratégia da PM para desarticular o tráfico de drogas na região. “É preciso romper o vínculo do traficante com o usuário e para isso é preciso retirá-los dali”, disse Camilo. “Só quebrando a logística do tráfico haverá condições de o Poder Público ajudar quem precisa”, afirmou o comandante da PM.

Segundo Camilo, apesar da diáspora de dependentes químicos,  não foi registrado aumento da criminalidade no entorno da antiga Cracolândia. “A migração de usuários pela região estava prevista e por isso a ação da polícia não tem data para acabar. O policiamento foi reforçado na região exatamente para isso”, afirmou Camilo.
O coordenador de políticas sobre drogas da Secretaria da Justiça de Defesa da Cidadania no governo de São Paulo, Luiz Alberto Chaves de Oliveira, falou que é fundamental dificultar o acesso do usuário à droga. “Enquanto eles estiverem confortáveis com a situação, como ocorria na Cracolândia. não buscarão ajuda”, disse Oliveira.

Fonte: Diário de São Paulo. 05 de janeiro de 2011.

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