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Ação anticrack não inibe ciranda de viciados em drogas PDF Imprimir E-mail
Qui, 05 de Janeiro de 2012 10:54

A operação contra o tráfico e o consumo de crack na Cracolândia, a região mais degradada da Luz, iniciada terça-feira pela Polícia Militar (PM), voltou a exibir uma situação já bastante conhecida de toda a cidade: a ciranda dos "noias", como são chamados os dependentes da droga.

Ontem, porém, o prefeito Gilberto Kassab disse que a ação da PM não é "enxugar gelo". Segundo o prefeito, "são pessoas dependentes, doentes. Já é um avanço estarem em uma região que tem polícia, que passará diariamente por processo de limpeza urbana, uma região em que as pessoas sabem que têm a possibilidade de serem encaminhadas para equipamentos adequados, onde serão submetidas a tratamento”.

Seja como for, desde anteontem, apesar de mais de 300 abordagens feitas pelos PMs, um grupo estimado em 500 dependentes deixou os arredores da Estação da Luz (seu ponto preferido) e tomou diferentes rumos em direção ao Centro. Ontem, o grupo deteve-se na Praça Princesa Isabel.

Migração – Os policiais militares que circulam pelas ruas da Luz admitiram não apenas a migração dos "noias", mas também  a concentração na praça. "Só hoje (ontem) foram três operações. A primeira deu-se às 10h. Depois, uma ao meio dia e outra às 15h. Nós afastamos o viciado, mas quando a viatura sai, eles voltam", disse o comandante da operação na tarde de ontem, o primeiro tenente Flávio Martins.

A reportagem do DC esteve na praça momentos antes da chegada da PM e registrou a presença dos "noias". No momento em que perceberam a presença da máquina fotográfica, dois deles ameaçaram agredir o repórter fotográfico. Um dos "noias" arremessou duas pedras do tamanho de uma bola de beisebol, que por pouco não atingiram o profissional.

Outro usuário foi além. Descontente, ele atravessou a avenida Rio Branco sem se importar com os carros e ameaçou o fotógrafo com um pedaço de cano plástico. Enquanto caminhava, dizia em tom ameaçador que pertencia ao "comando", o que, na gíria de marginais, é uma referência direta ao crime organizado ou, mais especificamente, ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Meia hora depois, chegaram homens da PM e da Guarda Civil Metropolitana (GCM).

"Sabemos que haveria uma migração. Por isso, a operação segue para a vizinhança da Luz", disse o tenente Martins.

No coração da Cracolândia, bem ao lado da Estação da Luz, moradores  e comerciantes aprovaram a operação policial, mas duvidaram de sua eficácia e pedem que a PM passe a ter presença permanente no local.

Comida - Na alameda Barão de Piracicaba, próximo a um dos conhecidos pontos de consumo de crack, a presença de uma ONG ligada à igreja Cristolândia ajudou ontem a minimizar um dos efeitos da abstinência da droga: a fome.

Voluntário da ONG e longe do crack há um ano e oito meses, Dogival Arnaldo Lopes, de 27 anos, disse que o consumo da droga costuma inibir a fome e a sede. Após o início da operação na Luz, muitos usuários passaram a consumir menos droga, recobrando a consciência e a fome. "Hoje servimos 200 refeições, um recorde", disse Silva.

M.F.J., de 33 anos, e I.C., de 40, aguardavam a chamada pelos voluntários da Cristolândia. "Não aguento mais. Estou doente e a minha mulher também. Quero ir para uma casa de recuperação e parar com esta vida louca", disse M.

Fonte: Diário do Comércio. 05 de janeiro de 2012.

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