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Cracolândia ainda tem tráfico à luz do dia PDF Imprimir E-mail
Ter, 10 de Janeiro de 2012 08:49

Quase uma semana depois de a PM deflagrar a operação na cracolândia, no centro de São Paulo, traficantes ainda atuam à luz do dia na região.
Ontem, por volta das 11h, a Folha flagrou um grupo de pessoas vendendo e consumindo crack no cruzamento das ruas Guaianases e Aurora, mesmo com a região ocupada por mais de cem homens da polícia e da guarda.

Até agora, a operação iniciada terça da semana passada conseguiu retirar de circulação menos de meio quilo de crack (428 gramas). Isso daria, segundo especialistas, para o consumo de apenas um dia na cracolândia.

Nas cenas de tráfico registradas pela Folha, uma jovem -com feição de adolescente- e um homem se revezavam nas vendas aos usuários. Os traficantes só suspenderam o comércio quando uma dupla de policiais, em motos, passou pela rua.

Um dos PMs subiu com o veículo na calçada, lançou spray de pimenta no grupo de usuários e foi embora sem fazer nenhuma abordagem.
Procurado, o governo de Estado disse que a ação "está ocorrendo dentro do planejado pelos órgãos estaduais e municipais que compõem a ação".

"Na primeira etapa, a Polícia Militar está promovendo a desarticulação do tráfico e a ocupação pelo poder público do território degradado", diz nota do governo.
A Folha perguntou ao governo especificamente sobre a continuidade da venda de drogas à luz do dia na área, mas não houve comentários.

O diretor do Denarc (departamento de drogas), Wagner Giudice, disse que a Polícia Civil tem homens infiltrados na cracolândia para prender os grandes traficantes.
No ano passado, segundo o delegado, dos 200 quilos de crack apreendidos na cidade, 120 eram destinados à essa região da cracolândia.

PRÁTICA

A dispersão dos usuários parecer ser, segundo defensores públicos que acompanham a ação na cracolândia, a principal foco da operação da PM até aqui.
Segundo o governo, a ideia dessa primeira fase de ação na região é desestruturar o tráfico e obrigar os usuários, em crise de abstinência, a buscar tratamento.

A Defensoria Pública tem feito um trabalho de acompanhamento na região e, até agora, pelo menos 20 pessoas relataram ser vítimas ou testemunhas de agressão.
Entre os relatos está de uma adolescente de 17 anos. Ela diz ter sido atingida na boca por uma bala de borracha porque recusou-se o obedecer a ordem de policiais militares para deixar o local.

A PM disse no final da noite que abriu sindicância para apurar o caso.
Ofício da Defensoria será enviado hoje aos governos estadual e municipal pedindo o fim de ações truculentas.

Entre elas estão a repressão aos usuários de drogas com bombas de efeito moral, balas de borracha e uso de gás pimenta.
Na noite de sábado e madrugada de domingo, a Folha também registrou cenas de ações policiais desse tipo. Uma aglomeração foi dispersada na região central.

O Ministério Público informou estar acompanhando as ações e que nos "próximos dias" anunciará "medidas".
A PM e a Secretaria da Justiça informaram desconhecer os 20 relatos tomados pela Defensoria.

Fonte: Folha de São Paulo. 10 de janeiro de 2012.

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Quase uma semana depois de a PM deflagrar a operação na cracolândia, no centro de São Paulo, traficantes ainda atuam à luz do dia na região.

Ontem, por volta das 11h, a Folha flagrou um grupo de pessoas vendendo e consumindo crack no cruzamento das ruas Guaianases e Aurora, mesmo com a região ocupada por mais de cem homens da polícia e da guarda.

Até agora, a operação iniciada terça da semana passada conseguiu retirar de circulação menos de meio quilo de crack (428 gramas). Isso daria, segundo especialistas, para o consumo de apenas um dia na cracolândia.

Nas cenas de tráfico registradas pela Folha, uma jovem -com feição de adolescente- e um homem se revezavam nas vendas aos usuários. Os traficantes só suspenderam o comércio quando uma dupla de policiais, em motos, passou pela rua.

Um dos PMs subiu com o veículo na calçada, lançou spray de pimenta no grupo de usuários e foi embora sem fazer nenhuma abordagem.

Procurado, o governo de Estado disse que a ação "está ocorrendo dentro do planejado pelos órgãos estaduais e municipais que compõem a ação".

"Na primeira etapa, a Polícia Militar está promovendo a desarticulação do tráfico e a ocupação pelo poder público do território degradado", diz nota do governo.

A Folha perguntou ao governo especificamente sobre a continuidade da venda de drogas à luz do dia na área, mas não houve comentários.

O diretor do Denarc (departamento de drogas), Wagner Giudice, disse que a Polícia Civil tem homens infiltrados na cracolândia para prender os grandes traficantes.

No ano passado, segundo o delegado, dos 200 quilos de crack apreendidos na cidade, 120 eram destinados à essa região da cracolândia.

PRÁTICA

A dispersão dos usuários parecer ser, segundo defensores públicos que acompanham a ação na cracolândia, a principal foco da operação da PM até aqui.

Segundo o governo, a ideia dessa primeira fase de ação na região é desestruturar o tráfico e obrigar os usuários, em crise de abstinência, a buscar tratamento.

A Defensoria Pública tem feito um trabalho de acompanhamento na região e, até agora, pelo menos 20 pessoas relataram ser vítimas ou testemunhas de agressão.

Entre os relatos está de uma adolescente de 17 anos. Ela diz ter sido atingida na boca por uma bala de borracha porque recusou-se o obedecer a ordem de policiais militares para deixar o local.

A PM disse no final da noite que abriu sindicância para apurar o caso.

Ofício da Defensoria será enviado hoje aos governos estadual e municipal pedindo o fim de ações truculentas.

Entre elas estão a repressão aos usuários de drogas com bombas de efeito moral, balas de borracha e uso de gás pimenta.

Na noite de sábado e madrugada de domingo, a Folha também registrou cenas de ações policiais desse tipo. Uma aglomeração foi dispersada na região central.

O Ministério Público informou estar acompanhando as ações e que nos "próximos dias" anunciará "medidas".

A PM e a Secretaria da Justiça informaram desconhecer os 20 relatos tomados pela Defensoria.

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